O Hypnobirthing já foi testado e analisado pelos mais diversos meios. Aqui ficam alguns artigos e estudos publicados, resumindo o que diz a ciência sobre o Hypnobirthing

“O recurso à hipnose terapêutica durante a gravidez, trabalho de parto e parto existe há mais de um século, e é uma das grandes bandeiras desta área terapêutica pelos efeitos positivos que tem vindo a demonstrar” (Ferreira, 2016)

Alívio da dor

Foi realizado um estudo para entender a intervenção do Hypnobirthing no alívio da dor no trabalho de parto (Finlayson 2015), que analisou 343 mulheres, selecionadas aleatoriamente. O estudo consistia em duas sessões de acompanhamento pré-natal com auto-hipnose e um CD de apoio que as mulheres ouviam diariamente até ao parto. Foram depois entrevistadas 8 a 12 semanas após o nascimento e a maioria das mulheres relatou experiências positivas da auto-hipnose, destacando sentimentos de calma, confiança e capacitação. Assim, afirmaram que era benéfico durante o trabalho de parto.

Em 2011 foi feito um estudo no Hospital Colchester (Jones 2016) que concluiu que 59% das mulheres não precisaram de qualquer analgesia e 55% das grávidas tiveram o bebé em menos de 6 horas.

Num estudo mais recente (Einion 2016) conclui-se que a preparação com hipnose pré-natal resultou num uso significativamente menor de sedativos, analgesia e anestesia regional durante o trabalho de parto. Resultou também em níveis de Apgar neonatais mais altos.

Parto mais curto

O mesmo estudo do Hospital Colchester (Jones 2016) verificou que 55% das grávidas que fizeram Hypnobirthing tiveram o bebé em menos de 6 horas. A grávida colabora com o seu corpo.
Por isso, em mães de primeira viagem, o trabalho de parto passa de 9,3 horas (sem Hypnobirthing) para 6,4 horas (com Hypnobirthing), em média. Nas outras mães passa de 6,2 horas para 5,3 horas, em média.

Mais confortável

Uma pesquisa da University College Cork (Irlanda) comparou as experiências de parto de 200 grávidas. Metade fez um curso tradicional de preparação para o parto enquanto a outra metade usou técnicas de de Hypnobirthing. As mães que usaram Hypnobirthing relatam que a experiência foi mais confortável e positiva. Tiveram também menos intervenções e mais apoio do(a) parceiro(a) de nascimento.

Mais natural

Os partos com Hypnobirthing têm mais incidência no parto natural. 84 a 99% dos partos por Hypnobirthing não requerem qualquer intervenção. No entanto, o método é para todo o tipo de parto.

Partos vaginais: menos 20%- População geral (64%) e mães Hypnobirthing (84%)- (2012:Royal Wolverhampton Hospitals)

Melhora o resultado obstétrico e facilita o parto

Já em 2004, foi feito um estudo para determinar se a hipnose pré-natal poderia facilitar o parto (Mehl-Madrona 2004). 520 mulheres grávidas foram escolhidas. Metade recebeu hipnose pré-natal, semelhante à ensinada por David Cheeek. A outra metade não recebeu.

O objetivo era reduzir o medo do nascimento e da paternidade; reduzir a ansiedade; reduzir o stress; identificar medos específicos que podem complicar o processo de parto e preparar as mulheres para a experiência do parto.
Assim, as mulheres que receberam hipnose pré-natal tiveram resultados significativamente melhores do que as que não receberam. Uma avaliação posterior sugeriu que a hipnose funcionava evitando que fatores emocionais negativos levassem a um desfecho complicado do parto. Conclui-se que o uso rotineiro da hipnose no pré-natal pode melhorar os resultados obstétricos.

Menos analgesia e administração de Ocitocina

O estudo (Leona V. 2007) afirma que “A hipnose demonstrou efetivamente fornecer ansiólise e analgesia numa variedade de configurações clínicas e laboratoriais, e é fácil de administrar. Revisões sistemáticas das evidências até o momento sugerem benefícios em: reduzir as necessidades de analgesia; reduzir a incidência da administração de ocitocina; e aumentando a incidência de parto vaginal espontâneo.”

Realizou-se um estudo exploratório que comparou os resultados do parto num grupo de mulheres que escolheram preparação de hipnose no pré-parto e outro que não o fizeram. De salientar que os grupos eram demograficamente semelhantes. A utilização de técnicas de hipnose durante a gravidez, resultou num uso significativamente menor de sedativos e analgesia durante o trabalho de parto. 51% das participantes não usaram qualquer tipo de analgesia e relataram o nível máximo de dor de 5,8 numa escala de 10.

Menos necessidade de Cesariana

Taxa de Cesariana varia entre 5 a 8% nos partos por Hypnobirthing, em comparação com a taxa nacional de 36%.
Cesariana de emergência: menos 11%- População geral do estudo (15%) e mães Hypnobirthing (4%) (2012:Royal Wolverhampton Hospitals)
Cesariana eletiva: menos 6%- População geral do estudo (10%) e mães Hypnobirtning (4%) (2012: Royal Wolverhampton Hospitals)

Menos ansiedade e mais concentração

O estudo (Abbasi 2009) descreve o efeito da hipnose sobre o alívio da dor durante o trabalho de parto. Assim, usando uma abordagem qualitativa, mulheres grávidas foram treinadas para usar a auto-hipnose para o parto. As mulheres descreveram seus sentimentos sobre a hipnose durante o trabalho de parto como “uma sensação de alívio e consolo, autoconfiança, satisfação, diminuição do medo do parto natural, diminuição do cansaço e da ansiedade.” Ainda, expressaram maior concentração no trabalho do útero. Demonstraram, inegavelmente, consciência de todos os estágios do trabalho de parto e pensamentos positivos. Os partos foram portanto percebidos como sendo muito satisfatórios em comparação com suas experiências anteriores.

Referências Bibliográficas

Finlayson 2015– Finlayson, K., Downe, S., Hinder, S. et al. Unexpected consequences: women’s experiences of a self-hypnosis intervention to help with pain relief during labour. BMC Pregnancy Childbirth 15, 229 (2015)

Jones 2016– Jones, T. G., Handford, S, Hypnobirth, Evidence, practice and suport for birth Professionals. Abingdon, New York, p.7.

Ferreira, S 2016. Métodos Não Farmacológicos de Alívio da Dor. In M. Néné, R. Marques & M. Batista (Coords). Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica (pp.416-424). Lisboa: Lidel.

Mehl-Madrona 2004– Mehl-Madrona LE. Hypnosis to facilitate uncomplicated birth. Am J Clin Hypn. 2004 Apr;46(4):299-312. doi: 10.1080/00029157.2004.10403614. PMID: 15190731.

Einion 2016- Einion A. Hypnosis and hypnobirthing for labour – a critical selective narrative review. Pract Midwife. 2016 Dec;19(11):25-7. PMID: 30462462.

Leona V. 2007- Vandevusse, Jacqueline Irland, Margaret A. Berner, Shauna Fuller & Debra Adams (2007) Hypnosis for Childbirth: A Retrospective Comparative Analysis of Outcomes in One Obstetrician’s Practice, American Journal of Clinical Hypnosis, 50:2, 109-119, DOI: 10.1080/00029157.2007.10401608

Abbasi 2009- Abbasi et al, Middlesex, UK – International Journal of Clinical and Experimental Hypnosis

2012: Royal Wolverhampton Hospitals NHS Trust. Presentation to the Royal Society of Medicine

Fonte da imagem: site tendencee.com.br